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Biblioteca - Textos e Publicações Sobre Transplantes

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A análise deste fenômeno não é simples e suscita muitas questões, todavia em linhas gerais é possível se evidenciar algumas das causas do porquê dos Transplantes Cardíacos não estarem crescendo no Brasil.

Em primeiro lugar, pela falta de estímulo. É necessário considerar o diferencial pago pelo SUS de honorários médicos (SP) quando comparado com os outros tipos de transplantes, a saber (Portaria n° 92 de 23 de janeiro de 2001):

(CÓD. SUS)     (% HONORÁRIOS)
31.805.01.9 Transplante Renal – doador cadáver (TOTAL) R$ 19.272,75 (SP) R$ 4.819,50 (25%)
36.10.02.2 Transplante de Córnea (TOTAL) R$ 711,46 (SP) R$ 226,45 (31,8%)
46.806.01.06 Transplante de Pâncreas (TOTAL) R$ 14.828,72 (SP) R$ 3.707,08 (25%)
46.800.08.5 Transplante de Fígado (TOTAL) R$ 51.899,46 (SP) R$ 5.189,94 (10%)
46.801.01.4 Transplante de Pulmão (TOTAL) R$ 37.070,92 (SP) R$ 4.907,22 (10%)
48.800.01.08 Transplante de Coração (TOTAL) R$ 22.242,49 (SP) R$ 2.284,23 (10%)

Há de se levar em conta que assim como o Transplante Cardíaco, o Hepático e Pulmonar também têm percentuais de honorários (SP) em 10% do valor total do procedimento, contudo seus valores totais elevados compensam esta diferença. Há inequívoco desnível para mais dos honorários destes procedimentos em relação ao de coração. Além de tudo deve ser considerado que do valor total dos honorários (SP), o anestesista é contemplado com 30% (Portaria GM 1258 de 09 de julho de 2002), o que provoca mais desequilíbrio na remuneração da equipe.

É necessário chamar a atenção que o órgão mais sensível à isquemia é o coração, suportando 04 horas como limite seguro desde parar de bater no doador e recuperar os batimentos já implantados no receptor, obrigando a uma logística rígida principalmente com busca à distância. Por este motivo, são recusados órgãos em bom estado, pois os esquemas de busca inexistem ou são complicados, principalmente no período noturno. Tal situação, por exemplo, não existe com o rim que suporta até mais de 24 horas de isquemia, podendo a retirada e o implante serem programados em condições eletivas.

Afora o aspecto logístico, é importante também levar em consideração o estado do coração “in situ”, muitas vezes deteriorado devido a cuidados inapropriados do paciente em coma encefálico, enquanto outros órgãos sólidos podem ser alocados nestas circunstâncias.

A possibilidade da ocorrência de doença coronária em doadores com idade acima de 40 anos e com história de AVCH por hipertensão não é pequena, e implantar um órgão nestas condições não está fora de cogitação, provocando complicações pós-operatórias e tardias importantes. É necessário por isso, a realização de cinecoronariografia prévia, o que poucas OPO´s têm condição de realizar. A soma destes fatores provoca inexoravelmente uma recusa maior de doadores, o que não acontece com o fígado e, principalmente, o rim.

Outro aspecto a ser considerado, diz respeito à seleção dos receptores que deve ser extremamente elaborada e, mesmo assim, constata-se a incidência de 20 a 35% de óbitos em fase de espera de doador compatível. Hoje, na cidade de São Paulo, devem haver milhares de receptores renais enquanto que de coração não ultrapassam a uma centena, o que também limita o aproveitamento da maioria dos enxertos, tendo em vista o enquadramento quanto à compatibilidade imunológica e superfície corporal.

Por fim, é necessário esclarecer que não existe à disposição das equipes transplantadoras os chamados ventrículos artificiais (VAD – “Ventricular Assist Devices”), cuja finalidade é resgatar aqueles receptores que não têm condições clínicas de esperar eletivamente o doador (ponte para transplante) ou recuperar um receptor (ponte para tratamento), ou manter indefinidamente o dispositivo implantado (ponte para destinação).

O programa de Transplante Cardíaco do Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia de São Paulo realiza transplante de maneira sistemática, procurando cada vez mais sua melhor otimização. No ano de 2002, foram realizados 26 procedimentos com resultados superponíveis ao registro anual da “International Society for Heart and Lung Transplantation (ISHLT)”.

Dr. Jarbas J. Dinkhuysen Médico Chefe da Seção Médica de Transplante, Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia, São Paulo, SP.

Presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia Cardiovascular, SBCCV.

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